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21 de jun. de 2010

No congresso de pijama



Meu orientador da faculdade me liga:

“-Ana, preciso que você apresente um congresso que apareceu de ultima hora.”

Eu estava de pijama, e, claro, como faz muito sentido, fui do mesmo jeito que estava: de pijama. Lá estava eu, apresentando um congresso não sei de quê, de pijama.

Era um congresso esquisito; tinham pessoas dançando, cantando, apresentando trabalhos científicos, contando piadas; mais parecia um show de talentos. Bom, mas eu nem pensava sobre a esquisitice do congresso. Estava com pressa era de trocar de roupa, porque dali a pouco seria a minha vez de me apresentar, e eu não queria aparecer de pijama na minha apresentação (Como se já não tivessem visto). Pra falar a verdade eu nem sabia direito o que eu ia apresentar. Mas fiz um esforço tremendo para prolongar uma das apresentações para ter mais tempo para me arrumar.

Quando termino de trocar de roupa para ir me apresentar, eu, como mestre de cerimônias, recebi o recado: “Diga que o congresso terá um recesso e voltaremos amanhã pela manhã.”
Obediente que era, dei o recado para o público, que saiu aliviado dali. Parece que aquilo tinha durado horas, e todos estavam cansados. Fui, então, pra casa. E na minha cabeça tudo era uma confusão: me decepcionaria pelo esforço perdido, ou me alegraria pelo tempo extra pra me preparar para o dia seguinte?

14 de jun. de 2010

Peixe ao avesso


Só sei que estava em uma praia, e havia uns pescadores vendendo peixes.

Um deles fazia uma coisa engraçado com os pobres animaizinhos aquáticos. Ele enfiava a mão na boca do bicho segurava o rabo pela parte de dentro e puxava. Com isso virava o peixe ao avesso.

Feito isso ele punha tudo numa bancada e vendia. Não sei porque, mas queria muito experimentar o peixe virado ao avesso. Acho que me disseram que era gostoso.

Fui até o homem, e pedi um. Mas ele não me vendeu.

"- Oia moça, veio um moço hoje de manhã e disse que comprava tudo!"

Eu insisti.

"-Vorta amanhã morena, amanhã eu vou ter de sobra!"

E eu respondi:

"-Tudo bem."

10 de jun. de 2010

Shampoo no elevador


Eu estava no trabalho da minha mãe, fazendo alguma coisa de útil.Uma das meninas que trabalham lá vieram falar com ela, oferecendo um tal de shampoo que também é sabonete líquido. Quando ouvi, como quem não ta prestando atenção mas tá captando tudo,me deu uma vontade louca de usar o tal negócio. Minha mãe acabou comprando o shampoo, e levou pra casa.

Um certo dia eu estava saindo de casa pra ir fazer alguma coisa importante,não me recordo bem o que era. Resolvi pegar um frasquinho do shampoo que minha mãe havia comprado, e também não me pergunte o porque. Coloquei na bolsa e saí.

Fui a um prédio muito grande de vários andares. Ele tinha acabamento externo em pavimento preto, tinha uma fonte de água na frente, um gramadinho com flores, e alguns banquinhos onde casais de namorados cochichavam e riam. Peguei o elevador e subi a um dos últimos andares. O elevador era pequeno, não cabia mais que 8 pessoas, não era muito iluminado, e era feito de metal. Fiz o que eu tinha que fazer, e peguei novamente o elevador para descer. Tava demorando tanto pra chegar ao térreo, eu tava sozinha, e então resolvi me ocupar. Peguei o frasquinho de shampoo da bolsa e comecei a lavar o cabelo! Mas o trem fez um volume de espuma incompatível pro tanto de liquido que havia no frasco. Começou a sujar muito o elevador. Eu fiquei desesperada, não sabia onde enfiar aquela espuma. Só conseguia pensar no sermão que o segurança me daria quando ele visse a bagunça. Quando cheguei ao térreo, fui até a fonte de água que havia na frente do prédio, fiz uma conchinha com a mão e peguei um pouco d’água. Levei até o elevador e comecei a jogar na espuma pra que ela escoasse. Fiz isso diversas vezes até que toda a espuma saísse.

Quando finalizei o trabalho saí do prédio aliviada por não ter que passar por um sermão. Passei pelo gramado e pelos casais de namorados, que me olhavam com uma cara estranhíssima. Estava tão feliz, que nem me lembrei que meu cabelo estava com shampoo por todos os lados.

7 de jun. de 2010

Cataporã


Eu estava em uma praia com minha mãe. A praia era deserta e parecia que morávamos ali por perto. Nós estávamos sentadas sobre a areia com os pés na água, e a água era cheia de rãzinhas. Eu odeio sapos/rãs, e cada vez que via uma saindo, tirava os pés com nojo, já me levantando pra ir embora. Minha mãe dizia:

-"Deixa de ser boba, rãs não fazem absolutamente nada, senta aí denovo."

E então eu voltava. Conversamos ali por um bom tempo, até que decidimos voltar para casa.

Quando cheguei em casa, que, alias, é a casa em que o meu vizinho mora, vi que havia um tipo de ‘piscina de lama’ na parte da frente. Meu irmão, que era pequeno no meu sonho, porque não tinha mais que uns 10 anos, brincava ali. Pulava, e fazia uma tremenda sujeira.Eu entrei e comecei a conversar com ele, mas por algum motivo ele não queria falar comigo. Continuava a brincadeira, me desdenhando. Minha mãe pediu que eu tomasse conta dele e das roupas que estavam secando no varal, em torno da ‘piscina de lama’. Não me pergunte como, mas as roupas não se sujavam. Eu pedia meu irmão pra tomar cuidado ao pular, pra que as roupas não se sujassem, e parecia que cada vez que eu falava isso, ele pulava com mais força. Busquei um ‘sofázinho’ lá dentro, coloquei em um local de onde pudesse observar meu irmão e me deitei de bruços.

Não sei o que mais aconteceu nesse meio tempo. Parece que houve um apagão na minha cabeça e, quando voltei, estava andando em um corredor muito claro com 2 pessoas. Um era um homem alto, bonito, de cabelos lisos, barba bem feita e dentes perfeitos. O outro era meu irmão, de mão dada comigo. O homem conversava algo sobre uma doença:

-“Leucemia é uma doença difícil de se curar, vocês têm que levantar as mãos pro céu porque ele passou por isso muito bem. Agora acabou, e vocês tem que procurar viver da melhor maneira possível.” (Não me pergunte o motivo dele estar dizendo tudo isso, eu também não sei).

Então saímos do corredor claro e entramos numa livraria. Ele dizia:

-“Eu sei que você gosta de escrever. Você precisa de um livro que eu conheço. Ele tem umas palavras bem interessantes que podem te ajudar.”

Enquanto isso, andávamos pela livraria, olhando um ou outro livro, observando seus títulos, como quem não tem nada o que fazer. Encaminhamos-nos pra sessão de dicionários, e continuávamos olhando livros aleatórios antes que ele chegasse no que queria me mostrar. Ele apontou pra uma prateleira e disse:

-“Acho que está ali.”

Mas estávamos sem pressa, e continuávamos a observar os livros da prateleira onde estávamos. Ele pegou um que tinha a foto de dois índios em sua capa. Eu achei o título estranho, e li em voz alta, como quem quer confirmar o que viu:

-“Caporã?”

E ele respondeu:

-“Não, Cataporã.”