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11 de jul. de 2010

Pega Ladrão!



Estávamos todos em casa: Eu, meus pais, meu irmão e minha cunhada. Meu irmão resolveu sair, ele queria comprar um móvel para sua futura casa nova. Minha mãe não queria ir:

“-Estou desarrumada, eu não vou sair com essa roupa!”

Ela vestia uma bermuda, uma camiseta e chinelos, e estava com o cabelo preso. Meu irmão tanto insistiu, que ela foi. Eu entrei no carro e tirei ele da garagem. Já na rua, passei para o banco de trás, mas me lembrei que estava fazendo algo importante em casa.
Então disse:

“-Acho melhor eu ficar em casa. Tenho que terminar uma coisa.”

Saí do carro e voltei para dentro de casa. Curioso como deixamos a casa escancaradamente aberta. Não trancamos sequer a porta da frente. Pensei: “Ainda bem que não fui.”

Ouvi um barulho de coisas se mexendo. Corri para a porta dos fundos para verificar o que era. No alpendre existia uma área coberta e um quintal descoberto. Os ambientes eram separados por um grande vidro blindado que terminava no telhado. Do lado da área coberta, havia uma porta que dava pra lavanderia, que, pra minha sorte, estava trancada.

Vi 3 garotos. Pareciam ladrões, e me encaravam com cara de malandragem. Aquele tipo de cara que você faz quando quer fazer alguma coisa errada. Eles se aproximavam da divisória de vidro, e eu cagava nas calças de medo deles. Então, tive uma brilhante idéia: Fui na cozinha e peguei duas facas grandes, dessas de churrasco. Fui pra fora, onde estavam os muleques. Fiz uma cara de malvada e comecei a movimentar as facas, encostando-as no vidro, pra fazer medo. Então um a um, eles corriam em minha direção, e quando viam a faca, faziam a volta e corriam na direção contrária. E fizeram isso umas 2 ou 3 vezes, acho que para terem a certeza de que eu ainda estava ali.

6 de jun. de 2010

Infinitamente derrotado


Havia um homem e uma mulher. A mulher estava presa do lado de dentro de uma casa. O homem estava do lado de fora, e cochichava com a mulher através de uma janela. Ele dizia:

-“Quando eu der o sinal você corre, e eu entro.”

O homem deu o sinal e a mulher correu. Na porta, ela se deparou com um bicho horroroso, gigantesco, semelhante a um grilo. Era verde folha, tinha uns 3 metros de altura e um par de ‘apêndices’ na barriga. Parecia que dali saíram mãos que se atrofiaram. Ao lado do ‘monstro’ havia um homem. Eu sei que havia um homem, mas não sei descrevê-lo porque não o vi. Sabia apenas que ele parecia dar comandos à criatura.

Vi então o homem herói correr para dentro da casa. Ele tentava chegar a algum cômodo específico, mas não sei qual e nem sei o motivo. De repente ele parou e disse:

-“Me pegaram!”

Olhou pra baixo e sob seus pés havia 2 manchas verde folha. Como eu era uma observadora, pude ver que a mancha se esticava até o grilo gigante. Era como se os ‘apêndices’ tivessem criado vida, e seguiram o homem até alcançar seus pés. O que deu a entender era que, se o homem fosse tocado por aquela ‘coisa’, ele morria.

Tudo ficou escuro.

Quando imaginei que havia acabado, lá estava o homem de novo, cochichando com a mulher, como se aquilo estivesse acontecendo pela primeira vez.Era como em um videogame, em que a gente volta pro inicio da historia quando morremos durante o jogo. A historia acontecia de novo, e cada vez ele tentava correr por outros caminhos, chegar a outros cômodos, e usar outras estratégias. Mas, era inevitável. A coisa verde sempre chegava aos seus pés.

E a história aconteceu um número indefinido de vezes.